Hoje vim contar a minha história:
Do dia pra noite senti um incômodo na mama direita, principalmente quando acordava. Pensei que pudesse ser o período menstrual se aproximando, pois a dor era muito parecida. Mas essa dorzinha persistiu um par de dias até que eu resolvi fazer o auto exame.
Encontrei um carocinho e fiquei muito preocupada! Mas nunca imaginei nada nas proporções de um câncer.
Na manhã seguinte corri para que minha ginecologista me examinasse. Fiz a minha primeira mamografia aos 34 anos, ultrassom e biópsia.
Os resultados acusaram um tumor benigno… Sim, benigno!
Fui orientada à observar a evolução do caroço e esperar 3 meses. Ele, supostamente, poderia sumir. Mas, ao contrário, ele aumentou de tamanho.
Nunca fiquei tranquila com isso, parecia que estava pressentindo que passaria por uma prova daquelas. Pois resolvi ir ao melhor hospital de Dubai e ingressar com os preparativos para retirar o tal tumor benigno.
Chegando lá, o cirurgião, especialista em mamas, foi conferir meus exames e imediatamente falou: acho que a amostra da primeira biópsia não foi boa! Vamos repetir tudo.
Naquele momento senti um frio na espinha e um medo que nunca tinha sentido antes.
Exames repetidos, aquela dor infernal da biópsia e o cirurgião se despediu dizendo que me telefonaria em 3 dias com os resultados. Meu sexto sentido me dizia que algo pior estava por vir.
Dois dias depois me telefonaram no hospital e pediram que estivesse lá em pessoa para conversar com o médico.
E a tal notícia chegou, no dia 13/junho/15: “você tem um carcinoma ductal invasivo”, palavras do médico. Ficamos, meu marido e eu, paralisados. O médico falou mais algumas coisas mas não me lembro de nada. Só conseguia pensar nos meus dois filhos pequenos, de apenas 5 e 3 anos.
Meu mundo caiu, choramos dois dias seguidos.
O tal tumor benigno tinha mudado de figura.
Reagi e percebi que chorar não resolveria o problema. Eu tinha que segurar na mão de Deus, confiar Nele e contar à Ele quais eram meus desejos. Aceitei a prova e pedi que a recompensa fosse estar aqui para ver meus filhos se tornarem adultos e pessoas do bem.
E assim foi. Decidi fazer a cirurgia no Brasil, voltei voando e em menos de 15 dias estava operada. Graças a Deus tudo foi pego no começo, sem comprometimento nos linfonodos e a quadrantectomia foi um sucesso.
Fui assistida por uma equipe médica fantástica e sou muito grata pelo privilégio de ter sido cuidada por eles.
Fiz teste genético (que saiu negativo, graças a Deus) e, apesar de ter sido o primeiro caso na família, a quimioterapia foi inevitável.
Foi difícil aceitar, mas de novo, só pensava em meus filhos e lá fomos nós. Um grande amigo me falou uma coisa que nunca esqueci e relembrava todas as vezes que sentia aquela insegurança e medo: ” o tratamento é inevitável, o sofrimento é opcional”. Tão sábio!
Abracei a quimioterapia com todas as forças. Fiz 80% delas em Dubai. Precisava e queria levar a vida adiante onde estamos. Foi duro! Mas não foi impossível.
Acompanhava meus filhos em todas as atividades escolares e sociais e nunca deixei a peteca cair. Fiz palestras, arrecadei doações de lenços e touquinhas e me tornei instrumento de informação.
A parte mais dura do processo: perder toda a sobrancelha e todos os cílios. Sim, isso foi duro demais para mim. Mas logo me ajeitei com os cílios postiços, o lápis e bola pra frente. Estar viva é o que importa. Os cabelos eu doei logo depois da segunda quimio. Raspei e enviei com muito amor ao Rapunzel Solidária.
Voltei ao Brasil em dezembro/15 para fazer a radioterapia. A última foi no dia 5/janeiro/2016. Quanta alegria! Que benção começar o ano novo com a saúde e a fé renovados.
Devorei o livro da Flavia no avião e pensei que as histórias sempre tem semelhanças. Muitos amigos se afastaram, mas em compensação os poucos e bons que me restaram são joias que não têm preço.
Que a vida siga, que a fé se renove todos os dias e que a beleza da alma esteja sempre estampada no sorriso de todas.
Um beijo desde o Oriente Médio!