Os cogumelos são iguarias na cozinha, mas vários têm sido usados também como fitoterápicos em muitos sistemas médicos tradicionais.
Nos últimos anos os pesquisadores vêm se debruçando sobre os cogumelos e as descobertas são animadoras. Atualmente, os cogumelos são classificados num reino à parte (o dos fungos com mais de 40 mil espécies), isso se deve a estudos mais aprofundados feitos na década de 60, antes eram considerados como pertencentes ao reino vegetal. Eles possuem algumas características tão especiais que motivou os pesquisadores a rever sua classificação.
Eles não possuem clorofila, não fazem fotossíntese, e suas células possuem estruturas, como retículo endoplasmático, que são muito mais ativas, metabolicamente, que os vegetais. Isso permite que eles tenham uma velocidade de crescimento e desenvolvimento que são únicas na natureza.
Os cogumelos são considerados tônicos, diuréticos, sedativos, estimulantes da imunidade, afrodisíacos, estimulantes do fígado e do baço, adstringentes e resolutivos pelas medicinas tradicionais. A ingestão diária de cogumelos, dizem os sistemas tradicionais, reforça as defesas e previne várias doenças como os problemas cardiovasculares e o câncer.
Shitake
Assim, vale rever o que a pesquisa científica revelou, nos últimos anos, sobre os cogumelos. Oshitake (Lentinula edodes), delicioso cogumelo da culinária japonesa, por exemplo, tem vários efeitos positivos sobre a saúde. Esses cogumelos são ricos em manganês e selênio, dois minerais que exibem atividade antioxidante, por atuarem como co-fatores de enzimas. O próprio extrato de shitake exibe efeito antioxidante. Também encontramos nele o manitol, um poliálcool, que tem potente efeito diurético, e pode explicar esse tipo de emprego popular. No shitake, assim como em muitos outros cogumelos, existem muitos polissacarídeos com efeito imunoestimulante e modulador da imunidade. Por isso, acreditam alguns pesquisadores, os dados epidemiológicos sugerem que ele tenha uma ação preventiva do câncer.
Maitake Outro cogumelo da culinária japonesa, o maitake (Grifola frondosa) também tem várias atividades benéficas sobre o organismo humano. Seus polissacarídeos são ainda mais estudados que os do shitake, e mostraram não só capacidade de estimular a imunidade, como um potencial de tratar ou prevenir alguns tipos de câncer. Por exemplo, num estudo recente o extrato aquoso de maitake foi eficiente em inibir a proliferação de diferentes linhagens de câncer de estômago. O maitake ainda tem um efeito sobre o metabolismo da glicose, podendo ajudar no diabetes. Em camundongos geneticamente modificados e diabéticos, o extrato de maitake consegue reduzir de forma significativa a glicose no sangue dos animais tratados, e parte desse efeito foi atribuído à presença de oligoelementos no extrato como cromo e vanádio.
Medicina chinesa e cogumelos
Da medicina chinesa temos, igualmente, cogumelos muito interessantes. O ganoderma (Ganoderma lucidum) é um dos que possui mais investigação científica, e tem mostrado potencial como imunomodulador, agente preventivo do câncer, protetor contra a aterosclerose, hipoglicemiante, protetor do fígado, antiviral e sedativo. Ele tem sido usado no tratamento complementar de pacientes com diabetes, leucemia, imunodeficiência, carcinomas e hepatite B.
Um segundo cogumelo originário da China, cordiceps (Cordyceps chinensis) também exibe potente atividade moduladora da imunidade, além de ação anti-inflamatória, tendo mostrado eficácia em recuperar o nível normal de células brancas no sangue, após leucopenia causada por quimioterapia. Estudos revelaram uma ação desse fungo também no pulmão onde reduz a secreção de muco e causa dilatação brônquica, todos efeitos que explicam seu uso tradicional em asma. O cordiceps exibe ainda atividade contra vários tipos de vírus, inclusive do vírus influenza, da gripe comum.
No Brasil, temos a nossa versão tupiniquim de cogumelo imunoestimulante, conhecido como cogumelo do sol (Agaricus blazei). Os polissacarídeos desse cogumelo se mostraram tão potentes em estimular a imunidade e prevenir câncer nos modelos experimentais, que os pesquisadores japoneses vêm investindo muito em pesquisá-lo, e produziram várias patentes. As formas do cogumelo do sol que podem impedir o câncer são muitas, de acordo com as pesquisas feitas e incluem a inibição das metástases, a inibição da angiogênese (impede o tumor de ter vasos sanguíneos para se alimentar), *efeito direto direto que mata células nocivas como as cancerosas, estímulo da imunidade e indução da apoptose (um tipo de suicídio celular que impede as células doente de continuarem vivendo).
Fonte:(UOL)