CAT CELEBRITY: HERSON CAPRI

O ator Herson Capri nasceu em Ponta Grossa (Paraná) no dia 8 de novembro de 1951. Hoje tem 63 anos, é pai de 4 filhos, está casado há 16 anos com Susana Garcia, mas já foi casado mais duas vezes.  Foi em 1999 (aos 48 anos) que enfrentou um gravíssimo câncer que descobriu quando estava fazendo exames preparatórios para uma lipoaspiração, pois ia participar da peça Paixão de Cristo.

Herson Capri com a mulher Susana Garcia, com quem é casado há 16 anos

Contratado pela Globo desde 1984, o ator começou a fazer teatro na PUC enquanto cursava economia. Ele até trabalhou um tempo na Bolsa de Valores, mas foi como ator que ele se encontrou, principalmente fazendo papel de vilão. E ele não para! Trabalhou em muitas novelas, em peças de teatro e até em cinema! Atualmente com o papel de Otávio na novela Babilônia.

Ele fumou por 30 anos. E então fazendo alguns exames descobre que tem câncer, e um desses bem complicados de lidar.  Ele conta em entrevista no programa Encontro com Fátima Bernardes: “Fui desenganado. O médico disse à minha mulher: ‘Olha não dou seis meses de vida’. Foi em 99. Tive o acolhimento da família e a vontade. Saí dali [do hospital] andando. Comecei a correr. Acredito muito em exercício físico. [Hoje] estou ‘inteiraço’. Malho, corro. Faço 7 quilômetros. Estou bem pra caramba. É a vontade de espírito”. Ele diz que já que não morreu por um triz, ele leva uma vida diferente agora, sua alegria de viver aumentou. Por ter interpretado a morte por tantas vezes, ele sente que teve um amadurecimento, que teve medo, mas não entrou em pânico.

Herson Capri abraçou a causa da prevenção do câncer e tem se integrado a ações voltadas para a divulgação da importância do diagnóstico precoce para a cura da doença. Em novembro  de 2008 ele marcou presença no lançamento nacional da campanha “Consciência Viva – Vivo e Conto”, de conscientização sobre o câncer de pulmão. Segue entrevista que saiu na Revista ABCâncer (Edição: C.P – 14.07.2009) – (Onco Médica):

Qual foi sua primeira reação ao descobrir que tinha câncer de pulmão? Teve medo?
HERSON CAPRI – Foi a sensação de impotência diante das perdas: eu ia perder uma família linda e que eu amava muito e eles iam perder um pai e um marido. Eu tinha certeza de que ia morrer, mas não tive medo.

Você lembra quais foram as primeiras palavras do médico ao diagnosticar a doença?
Quem primeiro viu o raio-X com o tumor foi a minha mulher, que é médica. Ela foi muito objetiva e firme no sentido de pesquisar melhor o tumor por meio de exames mais minuciosos e na procura do médico mais indicado para me acompanhar. Um dos primeiros médicos que consultamos disse a ela que eu não teria mais que 6 meses de vida. Ela não acreditou nisso e estava certa.

O quanto ajudou ter descoberto a doença em fase inicial?
O diagnóstico foi precoce, mas quase que não deu tempo. O tumor estava muito próximo do coração e das paredes internas do pulmão, quase colando. Como não chegou a colar nem na parede interna do pulmão nem no coração, isso foi determinante para me salvar.

Em 98% dos casos de câncer de pulmão o cigarro é o principal agente causador. O seu caso está dentro dessa estatística?
Sim, eu fumei muito durante mais de 30 anos. Cheguei a fumar três maços de cigarros por dia nas fases mais ansiosas. Parei seis anos antes de descobrir que tinha um câncer e não fumo mais.

Como foi o tratamento? Houve uma etapa mais difícil?
Logo depois do diagnóstico fiz a cirurgia e depois, como prevenção, radioterapia. Foi só. Não fiz quimioterapia porque não era indicado. Mas lembro que a radio me deixava muito enfraquecido.

Foi possível conciliar tratamento com a carreira de ator?
Dei sorte, porque a etapa de radioterapia foi feita justamente num momento em que eu não tinha nenhum trabalho em vista. Não teria como aceitar algum trabalho naquela fase, pois o processo todo é muito desgastante fisicamente.

Como está sendo a experiência de defender a causa da prevenção de câncer?
Eu vejo isso como uma obrigação moral que preciso cumprir e faço com muito prazer. É a passagem de conhecimento de uma coisa que vivi e é muito bom poder fazer isso.

Qual é o seu recado para aqueles que não sabem a importância da realização de exames preventivos de câncer?
Acreditem nos exames preventivos. Eles salvam vidas. A sua e a de seus parentes. Nossos médicos, muitas vezes, não recomendam esses exames por causa das condições sociais e econômicas dos pacientes. Eles dizem que não há necessidade de exames se não há sintomas. Discordo totalmente. O câncer é silencioso. É importantíssimo fazer todos os exames indicados para cada idade e às vezes até antes da idade indicada. Deveria haver algum movimento no sentido de que esses exames sejam democratizados e se tornem acessíveis a todos.

Ter passado pela experiência de enfrentar o câncer mudou seus hábitos, sua forma de viver?
Mudou muito. Sorrio mais, me preocupo menos, tento me alimentar melhor, ter hábitos mais saudáveis, faço exercícios, tento dormir bastante, tento manter o bom humor. E faço meus exames médicos e laboratoriais todos os anos.