#FORÇAAMIGA: SAIBA COMO PREVENIR O CÂNCER DE COLO DO ÚTERO

O câncer de colo do útero é uma doença silenciosa: a informação pode salvar vidas (Foto: Thinkstock)

No mundo, mais de 270 mil mulheres morrem por ano em decorrência do câncer de colo do útero. No Brasil, são 5.430 mortes ao ano, uma morte a cada 90 minutos. Mobilizada com esse número altíssimo da doença que atinge as mulheres, Marie Claire, em parceria com o laboratório Roche, mediará um debate sobre o câncer de colo do útero na próxima quinta-feira, 8, em São Paulo, na Casa do Saber. A ideia é fazer o movimento #ForçaAmiga ganhar amplitude na conscientização dos perigos da doença.

Na ocasião, também estará a jornalista Astrid Fontenelle e a oncologista Daniela Freitas, do Hospital Sírio Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. “As principais vítimas são mulheres em torno dos 40 anos. A fase inicial geralmente não possui sintoma, o que torna o diagnóstico mais difícil. O sangramento vaginal fora do período menstrual pode ser um indicativo da doença”, explica Daniela Freitas.

E qual a prevenção? “Seria ainda o exame anual de Papanicolaou e o uso de preservativos. O que temos agora também é a vacina contra o HPV. Como ela é aplicada apenas às mulheres mais jovens, veremos o efeito desta nova prevenção (incorporada pelo Sistema de Saúde em 2014) somente daqui a uns 15 a 18 anos”, explica a oncologista.

Este tipo de câncer ainda é silencioso por conta de ser uma doença adquirida principalmente via sexual e o preconceito ser muito grande. Os exames anuais são extremamente importantes, já que a doença, na maioria dos casos, pode gerar infertilidade na mulher. E o tratamento é a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, seguida do tratamento com terapia alvo.

O cenário do câncer de colo do útero no norte do país é alarmante e muito semelhante ao da Índia, onde há a maior taxa de mortalidade da doença no mundo, segundo a Cervical Cancer-Free Coalition. A incidência chega a quase 24 casos por 100 mil mulheres e é a primeira causa de óbito por câncer feminino na região – cerca de 50% das mulheres morrem em decorrência da doença. Na Índia, a incidência é de 20 casos a cada 100 mil habitantes e a taxa de mortalidade beira a 68 mil casos por ano.

No Ceará, a Associação Nossa Casa de Apoio à Pessoa com Câncer recebe pacientes que moram em regiões afastadas e precisam de um lugar para se hospedar enquanto estão em tratamento. Atualmente, a ONG atende 25 mulheres com câncer de colo do útero. “A nossa população é bem carente. A incidência é alta. As pessoas não têm acesso à informação. Muitas não fazem o exame como tem que ser feito. Só procuram o tratamento porque já estão sangrando muito, já na fase avançada da doença. Uma minoria faz os exames e às vezes a qualidade do Papanicolaou não é tão boa também”, conta Daniele Castelo Branco Pires, gestora da associação.

O machismo é outro forte fator. “Pelo fato de o câncer de colo do útero ser ligado ao HPV, muitas mulheres têm vergonha. Alguns casos são bem complicados porque não podemos hospedar acompanhante. Já aconteceu de marido não aceitar que a esposa ficasse aqui. Mas sempre aconselhamos a não desistirem do tratamento”, finaliza Daniele.
O movimento #ForçaAmiga segue a cada dia com mais engajamento para que esses números altos sejam revertidos.

Fonte: Marie Claire