VERA DUARTE

Olá Flávia!

Sei o quanto é importante compartilhar experiências sobre o câncer! No meu país, Portugal, apesar de existirem associações próprias para quem luta contra o câncer, como blogs e redes sociais, são poucas opções ainda.

No meu caso, segui e ainda sigo uma atriz portuguesa que passou pela mesma situação que eu, e isso me ajudou demais, porque ela compartilhava os bons momentos e os não tão bons também!

Então pensei… Por que não? Por que não compartilhar a minha história? Pode ser que traga mais histórias de Portugal, e pode ser que ajude alguém!

Então aqui vai…

Olá a todas as Cats!

Adoro ler todos os seus depoimentos, e para mim são uma grande inspiração!

Sou portuguesa, e no ano passado, com 30 anos de idade foi me diagnosticado um carcinoma invasivo da mama direita (grau II, positivo para receptores hormonais, HER2 negativo, ki67 de 8%, pesquisa de gânglio sentinela negativo).

Parecia fácil de resolver, mas surgiram imprevistos. Tive que ser submetida a uma mastectomia poupadora da pele com reconstrução imediata com prótese de silicone (e que dores que eu passei!).

Sempre lidei bem (dentro do aceitável) com o meu diagnóstico, até porque tudo se encaminhava para que eu não necessitasse de quimioterapia, porém, a glândula mamária retirada na mastectomia, ao ser analisada em laboratório, demonstrou um índice mitótico elevado (divisão das células), e a notícia de que havia necessidade de fazer quimioterapia, por prevenção, foi como um balde de água fria!

Ainda me lembro de dizer ao meu médico: “Ok, vou ficar gorda e careca!”. (Era assim que me imaginava).

Coloquei cateter central subcutâneo, ao qual lhe apelidei carinhosamente de “Kiko”, e de 3 em 3 semanas lá ia eu fazer uma visitinha ao hospital para fazer quimioterapia!

Foram 6 ciclos de quimioterapia (vermelha junto com a branca), o cabelo caiu e eu encontrei uma nova amiga, a “Cuca” – a minha prótese capilar de cabelo humano.

Foram 7 meses de amizade… Ficar careca não é muito bonito de se ver, aliás, não é só o cabelo que cai, tudo o que é pelo cai: cílios, sobrancelhas…

Então descobri que tinha uma belíssima aliada: a maquiagem!

Sim! Não havia um único dia em que eu não me maquiasse, nem que fosse só as sobrancelhas!

Quando se fala em quimioterapia, pensa-se logo em queda de cabelo, náuseas, vômitos. Mas para mim, os piores efeitos secundários foram o cansaço, falta de ar, a insônia, e aquele mal-estar que só quem passou por ela é que sabe do que estou falando!

Mas, aos poucos fui conseguindo. Quando terminei a quimioterapia, iniciei hormonoterapia (será durante 5 anos), e ganhei mais dois amigos: Tamoxifeno e Zoladex.

Em março deste ano, me despedi da minha Cuca, porque o dono da casa – o meu verdadeiro cabelo – já estava a dar o ar da sua graça. Nasceu liso e com fios brancos, mas agora que vou fazer 7 meses sem quimioterapia e 1 ano após a cirurgia, o cabelo está ficando cacheado.

Deus é grande e nos dá essas pequenas surpresas por tudo o que passamos, como quem dá um doce a uma criança.

Ainda tenho alguns efeitos secundários tardios, e também da hormonoterapia (cansaço, dores ósseas, calores, insônias), mas tenho contornado muita coisa com a uma alimentação mais saudável (e ainda nãoo aumentei de peso…yuppiii!) e umas caminhadas!

Somos todas como a Fênix, renascemos das cinzas a cada batalha!

Força para todas e todos que passam, que passaram ou que vão passar por esses tipos de tratamentos!
Somos capazes quando acreditamos em nós mesmos.

Beijinhos cheios de luz para todos!