Algoritmo detecta quem não pode esperar pelo tratamento do câncer na pandemia

Com a atual pandemia do novo coronavírus, algumas cirurgias e procedimentos foram remarcados, deixando casos urgentes como prioridades. A medida tem como objetivo ajudar a evitar a propagação do COVID-19, já que os ambientes hospitalares são locais mais propícios para a contaminação.

Para decidir quais operações precisam ser feitas com urgência, pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, criaram um algoritmo que consegue fazer essa identificação facilmente. O projeto, que usa como base dados de diversos testes internacionais, tem como foco os pacientes com câncer de mama e que precisam de cirurgia ou quimioterapia.

O algoritmo é capaz de identificar as pacientes que estão na pós-menopausa com câncer de mama primário ER + HER2-, existente em 70% dos casos e que possuem tumores menos sensíveis ao sistema endócrino, e aquelas que precisam ser prioridade para cirurgia precoce ou quimioterapia neoadjuvante.

Com a pandemia, pacientes diagnosticados com câncer de mama triplo negativo ou HER2 positivo ainda são direcionadas para quimioterapia urgente ou cirurgia. Já um outro grupo de pacientes estão tendo seus tratamento adiados, recebendo prescrição para terapia endócrina neoadjuvante, que reduz a estimulação da doença por estrogênio, sem a necessidade da remoção cirúrgica da mama.

Segundo informações divulgadas pelo estudo, 85% das pacientes que tiveram suas cirurgias adiadas estavam seguras para ter o procedimento adiado por até seis meses e serem tratadas pela terapia endócrina neoadjuvante, enquanto 15% podem ser identificadas como resistentes ao tratamento, correndo o risco de ver a doença se espalhar. “O tratamento pode bloquear o crescimento do tumor com sucesso em muitas mulheres, mas uma em seis que são resistentes há um risco de que o tumor continue a crescer e a se espalhar”, conta o professor Mitch Dowsett, um dos colaboradores do estudo.

Dowsett conta também que o algoritmo foi criado com dados não-publicados de testes clínicos envolvendo milhares de pacientes, usando ainda informações dos receptores de estrogênio e progesterona, e tumores de pacientes recém-diagnosticadas. Os dados, então, foram aplicados no algoritmo que é capaz de identificar imediatamente o melhor tratamento para cerca de 80% dessas mulheres.

“É importante que possamos tratar a maior quantidade de pacientes que precisam de tratamento ou cirurgia urgente, da maneira mais segura possível durante a pandemia da COVID-19”, completa Peter Barry, consultor de cirurgia de mama do instituto de pesquisa.

FONTE: Canal Tech

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