Para ser fisicamente ativas por Claudia Arab

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Bom dia Cats!!  Confiram mais um texto da nossa nova colunista, a Claudia Arab, criadora e coordenadora do Programa de Exercícios Físicos para Mulheres em Tratamento de Câncer de Mama, nos incentivando a ter um maior nível de atividade física em nossas vidas. 

Para ser fisicamente ativas

Há muitas questões sobre atividade física que surgem quando você ouve alguém defendendo e disseminando esta prática ou mesmo quando alguém decide fazer atividade física. O que fazer? Quando? Quanto? Onde? Como? As primordiais são quanto à definição e finalidade da atividade física. Tudo que requer movimento corporal, locomoção, tarefas rotineiras, lazer, entre outros, pode ser considerado atividade física. Alguém que tem como trabalho algo que o exija muito tempo sentado em frente ao computador tem o nível de atividade física diferente de alguém que trabalhe com descarregamento de mercadorias. Essa questão começou a ser abordada lá nos anos 50, por Morris, na Inglaterra, quando descobriu que doenças do coração eram mais comuns em homens fisicamente inativos no trabalho (motoristas) do que em trabalhadores que tinham funções mais ativas. O nível de atividade física também pode ser diferente entre duas pessoas que tenham a mesma função no trabalho, pois as demais atividades da vida diária também interferem. Assim, uma pessoa que pratica
exercícios físicos tem maior nível de atividade física do que quem não pratica exercícios físicos.
O exercício físico é aquele realizado periodicamente, sob prescrição (ou, ao menos, deveria) que tem objetivos, continuidade, progressividade, controle, etc. Então, quando falarmos de exercício físico, necessariamente este está dentro de atividade física, mas falar em atividade física não necessariamente significa que há exercício físico, ok? Vamos para o assunto que mais nos importa: atividade física, exercício físico e câncer.
É muito comum que, após o diagnóstico de câncer, os pacientes diminuam seus níveis de atividade física geral por diversos motivos. Várias vezes as pacientes já me relataram que faziam academia ou dança até 5x por semana, mas que pararam ou foram diminuindo quando tiveram a suspeita e o diagnóstico da doença. Além disso, o baque emocional é forte e é normal que os pacientes queiram ficar mais “recolhidos”. As barreiras para praticar atividade física são inúmeras. Falta vontade e tempo, cansaço, o local de prática é longe de casa, não gostam ou mesmo sentem medo e dores. Às vezes, pode ser por recomendação médica, daí é preciso conversar direitinho com a equipe para entender os motivos da não recomendação – cada caso um caso e aqui falamos no geral (a individualidade dos pacientes é imprescindível!).
O recomendado, porém, é que os pacientes retornem suas atividades normais o mais rápido possível. Quanto mais nos movermos (e nos ocuparmos), melhor. O movimento é analgésico – ouvi um professor dizer essa expressão e achei fantástica. Afinal, quando decidimos não fazer nada, logo começam as dores: é joelho que chia, costas que reclamam, sem contar o desânimo cada vez maior. O que leva as pessoas a praticarem atividade física, ou seja, a motivação para a prática, pode ser explicada por diversas teorias como a da autodeterminação, mas não entraremos nessas teorias. O que nos importa aqui hoje são algumas dicas que podem ser adicionadas à rotina de vocês para aumentar o nível de atividade física. As sugestões são simples e fazem toda diferença. Se você anda de ônibus, pare um ponto antes ou depois do mais perto da sua casa e aproveite para caminhar até seu destino. Se você
usa o carro para ir logo ali ao mercado ou padaria, troque por uma bicicleta ou vá caminhando, se possível. A clássica troca do elevador pelas escadas também é muito útil. Faça atividades em grupo, chame os amigos e os familiares, são mais divertidas e já aproveitam para colocar o papo em dia. Façam um passeio a pé em parques ao invés de irem ao cinema. Hoje em dia, os smartphones têm aplicativos que vocês conseguem ver quantos passos deram no dia ou qual a distância percorrida a pé. Tentem aumentar essa quantidade gradualmente. São sugestões super simples e até comuns de ouvirmos por aí, mas fazem bastante diferença para nossa saúde e, por vezes, não percebemos que podemos aproveitar esses momentos para sermos mais fisicamente ativos. Começando assim, já fica bem mais fácil de se engajar num programa de exercícios físicos futuramente! Façam o teste por uma semana. Avaliem como está seu ânimo, nível de ansiedade, cansaço e dores antes e depois dessa semana ativa. Percebam as diferenças e depois contem pra gente! ��