O combate ao câncer pode começar pela boca

O tratamento oncológico afeta diversos aspectos e um deles é a saúde bucal. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de boca é o mais comum entre a população masculina, com mais de 11 mil novos casos em 2020. 

Especialistas explicam que, dependendo do tratamento contra o câncer, o paciente deve buscar um tratamento odontológico mais atencioso. “É muito comum que os pacientes submetidos a quimioterapia consultem um cirurgião-dentista para fazer a adequação da boca com remoção de focos de infecção que poderiam complicar durante o tratamento do câncer. Sendo assim, os procedimentos odontológicos devem ser pensados a curto prazo, baseado na toxicidade aguda da quimioterapia e/ou radioterapia e, a médio e longo prazo, segundo os efeitos tardios da radioterapia e da cirurgia”, conta Fábio Luiz Coracin, presidente da Câmara Técnica de Patologia Oral e Maxilo Facial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP). 

Os cuidados com a boca e dentes devem ser criteriosos para todas as pessoas, porém, para pacientes oncológicos, devem ser intensificados antes do início do tratamento ou ao receber o diagnóstico. Isso é essencial para que os prováveis focos de infecção sejam removidos. 

Para Fábio de Abreu Alves, presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP, o acompanhamento do cirurgião-dentista pode ser parte de uma estratégia multidisciplinar de combate à doença. “Pacientes que farão tratamento para câncer de boca (outras regiões de cabeça e pescoço também), por exemplo, ou um transplante de medula óssea, devem passar por uma avaliação odontológica para melhorar a saúde bucal, receber instruções de higiene oral e remoção de focos de infecção da boca”.

Para o caso de pacientes com imunossupressão (diminuição da defesa imunológica), o tratamento odontológico deve ser postergado para evitar o período de maior risco de infecções. Além disso, caso haja alguma emergência odontológica, o médico deve ser consultado para avaliar a melhor ação a ser tomada.

Fonte: CROSP – Conselho Regional de Odontologia de São Paulo