MEDITAÇÃO REDUZ SENSAÇÃO DE DOR E AJUDA A SUPERAR EFEITOS DE DOENÇAS

Quando o pesquisador Chris Brown usou um laser para provocar pontadas de dor nos braços de voluntários, ele fez uma descoberta curiosa. Metade dos homens e das mulheres sentiu que a dor foi menos incômoda que os outros. Exames em seus cérebros também mostraram que áreas envolvidas na antecipação do medo estavam menos ativas. Os dois grupos de pessoas eram idênticos, a não ser por um detalhe: os que sentiram que a dor foi menos incômoda praticavam meditação. E quanto mais tempo de prática tinham, menor era a sensação de dor.
A pesquisa de Brown e outros especialistas em dor da Universidade de Manchester no Reino Unido?
dá mais indicações de como a meditação pode servir para aliviar os sintomas de condições tão diversas
como dor crônica, artrite reumática, depressão, ansiedade, insônia e síndrome do cólon irritável:

  • A meditação parece funcionar reduzindo a antecipação e a visão negativa da dor e não por distrair 
    a atenção da própria sensação de dor – diz ele.
  • Quando as pessoas meditam, elas se focam em sua respiração e outras sensações corporais e aprendem a experimentar essas sensações com atitudes de aceitação, abertura e curiosidade. Isso parece reduzir os pensamentos negativos sobre sensações como a dor.
  • Descobrimos por meio de exames do cérebro que os praticantes de meditação tinham menos atividade 
    nas áreas associadas com a antecipação. Eles também tinham uma redução da sensação de dor quando comparados com outras pessoas – conta Brown.
  • Acreditamos que na meditação o foco na respiração, exemplo, ancora o indivíduo no presente e não no passado ou no futuro. Quando eles experimentam a dor, não a bloqueiam, mas lidam com ela de uma maneira menos negativa. Dessa forma, a meditação deve reduzir a avaliação emocional da dor ou de outros eventos estressantes por retirar a atenção da antecipação de seu sofrimento. Ação direta no sistema nervoso.
  • Também foi sugerido que a meditação pode funcionar por afetar o sistema nervoso autônomo, ou
    involuntário, que regula o funcionamento de muitos órgãos e músculos, controlando funções como a frequência cardíaca, sudorese, respiração e digestão. Ele consiste do sistema nervoso simpático, que prepara o corpo para a ação, como respostas de “lute ou fuja” em que o batimento cardíaco acelera e os vasos sanguíneos se contraem; e o sistema nervoso parassimpático, que diminui o ritmo cardíaco e de respiração e faz os vasos sanguíneos se expandirem, aumentando a circulação. Acredita-se que a meditação reduz a atividade do sistema simpático e aumenta a do parassimpático.
  • Mais de 50 testes clínicos estão sendo realizados para avaliar os efeitos da meditação sobre várias doenças e condições, e como ela funciona.

Fonte:(O Globo)