Crédito: Flavia Flores por Wladmir Dal Bó

Dia Mundial do Sono

Hoje, 19 de março é o Dia Mundial do Sono, definido pela Sociedade Mundial do Sono (World Sleep Society), para lembrar da sua importância nas nossas vidas e para podermos difundir conhecimento sobre o sono e estudarmos seus aspectos e impacto na saúde de todos. 

Nesses tempos de pandemia, o sono de boa qualidade, promove um reforço para o sistema de defesa. A ausência de um bom sono, gera seu déficit, que não contribui e nem auxilia no restabelecimento do corpo, dificultando as reações bioquímicas que impulsionam as células de defesa para combater doenças. 

Durante o período de vigília, exercemos as tarefas diárias e o tratamento de saúde, depois, é fundamental dormir bem, pois durante o sono é que as reações químicas e biológicas atuam para que os tratamentos e os medicamentos, juntamente com as células de defesa, possam produzir seus  efeitos positivos. Um exemplo importante é o das vacinas. Estudos demonstram que noites mal dormidas antes e após uma pessoa ser imunizada, a produção de anticorpos, em geral, é menos efetiva, quando comparado com pessoas que dormem bem nestes períodos. O mesmo ocorre durante um longo tempo de tratamento de câncer. 

Dentre os distúrbios do sono relacionados ao tratamento de câncer, destaca-se a insônia, além da fadiga, que é um cansaço mais significativo com falta de energia para seguir a rotina.  Mas outros distúrbios do sono podem estar presentes, até mesmo previamente ao diagnóstico de câncer, como ronco e apneia do sono. Todos necessitam ser investigados e tratados, antes, durante e posteriormente ao tratamento de qualquer doença, principalmente durante a quimioterapia, para que o bom sono contribua com o tratamento. 

Uma das medidas fundamentais para se combater a fadiga, frequente em mulheres com câncer de mama, e o estresse por tudo que envolve um tratamento de câncer, é dormir bem e tratar os distúrbios do sono apresentados, quer seja insônia ou outros. A insônia e a sonolência diurna excessiva, são problemas crônicos nos indivíduos com câncer. A dificuldade de se manter ou mesmo de se iniciar o sono, são definidas como insônia. A sonolência durante o dia altera a percepção do cansaço e da disposição contribuindo para a sensação de fadiga, que esgota a energia geral necessária para o enfrentamento das tarefas diárias. Pacientes com mais chances de apresentarem distúrbios do sono, insônia e mesmo depressão durante o tratamento, são aqueles que já tinham pelo menos um desses problemas antes do diagnóstico.

Os problemas como ronco e apneia do sono, são distúrbios da respiração do sono. Durante o sono, ocorre o relaxamento da musculatura das vias aéreas e a entrada de ar enfrenta dificuldade para chegar aos pulmões, devido a essa obstrução. Ocasionando não apenas o barulho do ronco mas também, uma diminuição ou até a parada da entrada de ar, que é a apneia do sono.

Consequentemente, diminui o oxigênio no sangue e aumenta o gás carbônico,  provocando um sangue mais tóxico, mesmo que momentaneamente, mas isso pode se tornar um efeito crônico. Porém o corpo, sob o comando do cérebro, sempre tenta restabelecer a respiração e a entrada normal do fluxo de ar. Com isso, o sono fica fragmentado, cortado, ocasionando alteração no seu ciclo normal. Esse efeito de fragmentação gera cansaço que ao despertar, o corpo além de estar cansado, também pode apresentar uma sonolência durante todo o dia.  O acúmulo desses efeitos provoca a fadiga ou contribui com a piora da fadiga já própria dos pacientes em tratamento de câncer.  

Com tudo isso, o efeito protetor de um bom sono não acontece, prejudicando o tratamento, como no caso da quimioterapia. Portanto, é necessário o tratamento dos distúrbios da respiração do sono em todos os pacientes. Também é fundamental introduzir tratamento para insônia, que pode ser através de medicação, nos casos mais intensos. Porém medidas para se dormir bem e que tem uma contribuição enorme no manejo da insônia devem ser instituídas e seguidas por todos os pacientes. Tais medidas possuem uma importância significativa e não devem ser negligenciadas por mais que pareçam simples.

DICAS PARA UM BOM SONO:

  1. Tentar dormir e acordar sempre no mesmo horário.
  2. Procurar dentro desses horários, levantar da cama e sair do quarto, logo pela manhã, com a claridade do dia. 
  3. Manter o quarto de dormir sem nenhuma luz artificial, totalmente escuro, inclusive de luzes de aparelhos eletro-eletrônicos, TVs, computadores e celulares que devem ficar fora do quarto.
  4. Não utilizar esses dispositivos por pelo menos 2 horas antes do horário de dormir, no máximo que a tela seja para algo muito recreativo, que não exija muito da atenção. 
  5. Evitar qualquer atividade mais intensa, intelectual ou física por pelo menos 2 horas antes do horário estabelecido para ir dormir.  
  6. Buscar alguma atividade mais relaxante nos momentos antes de dormir, como uma leitura prazerosa, mas que não esteja relacionada a fatores de estresse, como informações de trabalho, política, doenças. Cada um compreende o que provoca preocupação para si mesmo e pode evitar esse fator antes de dormir.
  7. Alimentar-se adequadamente de acordo com cada necessidade individual, de forma geral leve. Mas não deve-se dormir com fome. Medidas nutricionais relaxantes podem ser usadas.
  8. Evitar totalmente, tomar café após o meio-dia (12h) e bebidas com cafeína. 
  9. Banho antes de dormir não podem ser nem quentes e nem frios. Devem estar adequados com a temperatura ambiente assim como a do quarto de dormir. 
  10. Evitar cochilos no final da tarde.  Ao sentir uma pressão de sono após às   16h, tentar se expor à luz solar por um tempo. 

Prof. Dr. Eduardo Rollo – Periodontista – Dor Orofacial, ATM e Odontologia do Sono – Colunista do IQeB